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7 de mai de 2018
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Em Petrópolis, RJ, número de vítimas acidentes de trânsito têm redução de 30% em um ano


Dados correspondem às entradas na sala de trauma do Hospital Santa Teresa

Por: Redação

Dados do hospital referência em trauma de Petrópolis, o Santa Teresa, apontam a redução de 30% no número de vítimas de acidentes de trânsito nos quatro primeiros meses do ano, comparado ao mesmo período de 2017. 

Enquanto no ano passado foram registradas 345 entradas de vítimas na unidade de saúde, em 2018 foram 242 neste período, uma redução de 103 vítimas neste prazo. As motocicletas, no entanto, são ainda as grandes vilãs da violência no trânsito: nas últimas duas semanas três mortes foram registradas em acidentes com motos.

Blitz Educativas estão sendo realizadas no município. (Foto: Divulgação)
Os dados estão sendo divulgados pela CPTrans e a publicidade da estatística está relacionada a uma sensibilização da população neste mês, o Maio Amarelo, de campanha de prevenção a acidentes. Os dados correspondem a acidentes com carros, motocicletas e atropelamentos e são ainda menores que o número de vítimas registrados em 2016, quando houve 304 registros no período.

Também em um ano caiu o número de vítimas fatais em cena. Dados do anuário estatístico de acidentes de trânsito do ano 2016 aponta que foram 18 óbitos e uma prévia do documento de 2017 aponta que foram 17 mortes em locais sob jurisdição municipal, sendo outras quatro na BR-040 e uma na RJ-117.

Pela primeira vez, a CPTrans buscou o número de mortes pós-cena, ou seja, aquelas pessoas que sofreram um acidente e não morreram no local do sinistro. Para isso, foram cruzados dados dos Bombeiros, Polícias, SAMU e unidades de saúde da cidade, garantindo que um mesmo nome não fosse registrado duas vezes. Os dados levantados apontam que, nessas condições, foram 20 óbitos registrados, totalizando 43 mortes.

“Embora nossa intenção seja zerar o número de vítimas, saber que no mesmo período, em um ano, 103 pessoas deixaram de estar em um acidente de trânsito é motivo para comemorar. São pessoas que sequer têm noção de que suas vidas estão a salvo. Vamos continuar trabalhando, seja no processo de conscientização ou punindo com rigor as irregularidades encontradas no município. 

Em 2017 ainda vivemos com a falta de planejamento do ano anterior e o trabalho realizado ao longo do ano já demonstra reflexos positivos no número menor de vítimas de trânsito no primeiro quadrimestre de 2018”, destaca o diretor-presidente da CPTrans, Maurinho Branco.
Dados prévios do anuário estatístico de acidentes de 2017 já consolidados pela CPTrans apontam que 18,6% do total de mortes por acidentes de trânsito ocorreram em pontos como BR-040 (5 óbitos), BR-495 (1), RJ-117 (1) e Estrada Silveira da Motta (1). 

Agentes durante Blitz Educativa. (Foto: Divulgação)
Em Petrópolis, o local com maior número de vítimas fatais é a Estrada União e Indústria, com oito óbitos, sendo quatro em cena e quatro pós-cena. Os dados apontam, ainda, que em 2017 foram registrados 1.776 acidentes, com 1.589 vítimas, sendo 41% desse total, ou seja, 779 motociclistas.

“Esse é um número muito alto, principalmente considerando que a frota de motocicleta, ao final de 2017 era de 15% do total de veículos do município, que chegou a 166.902 ao fim de 2017. Por isso há uma preocupação especial com esse público. 

É muito importante que as pessoas se conscientizem e que lembrem que, no trânsito, todos somos responsáveis um pelos outros”, destaca o diretor técnico e operacional da CPTrans, Luciano Moreira, lembrando que a maioria dos acidentes na cidade ocorre por colisão (644), seguido de abalroamento (307), choque (243), queda de moto (204), atropelamento (187), capotamento (64), tombamento (49) e outros (32).

Maio Amarelo quer conscientizar a população

As ações do Movimento Maio Amarelo em 2018 visam conscientizar a população sobre as estatísticas de trânsito na cidade. Na prática, a intenção é mostrar que todos estão sujeitos a ser vítimas, seja motorista, motociclista ou pedestres. 

Ações maio amarelo. (Foto: Divulgação)
A abertura oficial na última quarta-feira (02.05) levou o público presente no Salão Nobre da UCP às lágrimas. Isso porque o depoimento de Márcio da Silva Alcântara, vítima de um acidente de trânsito em 1991, aos 21 anos, destacou a tristeza de quem viu sua vida mudar radicalmente ficar por 15 anos em cima de uma cama e, após esse período, precisar de uma cadeira de rodas para se locomover.

No seu depoimento, ele contou que no dia do acidente ele havia consumido bebida alcoólica antes de subir na motocicleta para ir ao trabalho. Eram cinco da manhã e ele precisava chegar às sete, mas isso nunca aconteceu. A mistura fatal fez com que Márcio atingisse um carro a 120 Km/h, voasse a metros de distância em direção ao asfalto e quebrasse duas vértebras do pescoço após o capacete que usava se partir ao meio. Como consequência, seu corpo ficou totalmente paralisado do pescoço para baixo, deixando o então jovem totalmente dependente de outras pessoas para fazer qualquer coisa.

“Só 15 anos depois um amigo me chamou para praticar esportes e então eu saí de cima da cama. Com esforço eu consegui recuperar parte do movimento dos braços, mas a minha mão direita não se mexe e a esquerda apenas 10%. Sou dependente da minha mãe para tudo, ela me veste, me dá banho, enfim, ela parou totalmente a vida dela para cuidar de mim. Perdi tudo o que eu tinha. Meus amigos se afastaram de mim e apenas a minha mãe compartilha comigo todos os dias a consequência da minha irresponsabilidade. Então, eu não desejo isso para ninguém, para a família de ninguém, porque eu sei como é doloroso. Todos os dias eu peço a Deus que cuide da minha mãe, não só porque ela cuida de mim, mas porque ela parou toda a sua vida por isso”, conta Márcio.

Atualmente, Márcio se dedica a contar sua experiência nas blitzen da Lei Seca no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa, ele explica, é para que as pessoas não repitam seu erro. Que não misturem direção e bebida. “Hoje eu trabalho participando das blitzen porque quero dar orgulho à minha mãe, o orgulho que eu tirei quando fui um irresponsável e peguei naquela motocicleta depois de beber”, concluiu na abertura.

“São depoimentos como esse que queremos evitar. A dor de quem tem um familiar envolvido em um acidente, cujas sequelas permanecem é muito grande tanto para a vítima, quanto para os familiares. É por isso que precisamos que todos colaborem, que reflitam sobre o que houve com o Márcio e que tenham noção que, quando exigimos que obedeçam às leis de trânsito, estamos querendo evitar situações traumatizantes como este”, destaca Maurinho Branco.

Um carro esmagado e uma motocicleta destruída estão expostas aos pés do Obelisco, um dos pontos de maior movimento do Centro da cidade. A ação quer chamar a atenção para a urgência em frear as estatísticas de trânsito, não só em Petrópolis, mas em todo o país. Outro ponto de grande fluxo de veículos, o Trevo de Bonsucesso, também segue com carros em exposição. Ao longo do mês uma série de atividades estão programadas.

Confira a programação do Maio Amarelo em Petrópolis:

04.05 - Bitz Educativa Animada na Praça D. Pedro, a partir das 11h
11.05 - Bitz Educativa Animada na Praça D. Pedro, a partir das 11h
17.05 - Simulação de acidentes com o Corpo de Bombeiros, na Praça D. Pedro, às 10h
18.05 - Cristalização de para-brisas, na Praça D. Pedro de 10 às 17h
18.05 - Blitz Educativa Animada na Praça D. Pedro, a partir das 11h
25.05 - Blitz Educativa Animada na Praça D. Pedro, a partir das 11h
26.05 - Caminhada Maio Amarelo na Praça D. Pedro a partir das 14h

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