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Fiocruz: com avanço da vacinação, mortes e ocupação de UTIs têm queda

O avanço da vacinação contra a covid-19 já produz impacto na mortalidade causada pela doença e na ocupação de leitos nas Unidades de Sa√ļde

Por Redação Portal Fri Notícias em 02/07/2021 às 01:16:52

O avan√ßo da vacina√ß√£o contra a covid-19 j√° produz impacto na mortalidade causada pela doen√ßa e na ocupa√ß√£o de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), segundo edi√ß√£o extraordin√°ria do Boletim Observatório Covid-19, da Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada nesta quarta-feira (30).

Apesar da manuten√ß√£o de n√≠veis altos de transmiss√£o da doen√ßa, em um patamar est√°vel ainda mais elevado que o do ano passado, os pesquisadores observaram queda na incid√™ncia de mortes. A raz√£o para esse descolamento nas tend√™ncias, segundo o boletim, pode ser explicada pela vacina√ß√£o dos grupos de maior risco e exposi√ß√£o, como idosos, portadores de doen√ßas crônicas e profissionais de sa√ļde.

"Hoje, a cobertura vacinal dentro desses grupos é mais ampla em rela√ß√£o ao restante da popula√ß√£o. Ao mesmo tempo, a circula√ß√£o de novas variantes do v√≠rus pode aumentar a sua transmissibilidade sem que isso represente, no entanto, um aumento no n√ļmero de casos graves com necessidade de interna√ß√£o", diz um trecho do estudo, que ressalta que a transmiss√£o em patamares elevados gera casos graves entre grupos populacionais n√£o vacinados ou com vulnerabilidade potencializada por fatores individuais ou sociais.

O boletim mostra que, entre 20 e 26 de junho, foi mantida uma incid√™ncia média de 72 mil novos casos de covid-19 por dia no pa√≠s, o que representa uma oscila√ß√£o de -0,2% ao dia em rela√ß√£o à semana anterior. J√° a mortalidade média foi de 1,7 mil v√≠timas por dia, o que corresponde a uma queda di√°ria de 2,5%. Apesar da redu√ß√£o no n√ļmero de óbitos, que chegou a uma média de 3 mil por dia no pico da pandemia, a Fiocruz ressalta que a mortalidade ainda é considerada muito alta e "n√£o permite afirmar que haja qualquer controle da pandemia no Brasil".

Ocupação de leitos

Sobre a interna√ß√£o de casos graves da doen√ßa, os pesquisadores destacam que as taxas de ocupa√ß√£o de leitos de UTI covid-19 para adultos no Sistema √önico de Sa√ļde (SUS), observadas no dia 28 de junho de 2021, mostram quedas expressivas no Nordeste e nos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, no Centro-Oeste. Por outro lado, Tocantins, Paran√° e Santa Catarina s√£o os que apresentam situa√ß√£o mais preocupante.

"A vacina√ß√£o come√ßa a dar sinais de resultados positivos de forma mais sens√≠vel com a amplia√ß√£o da cobertura de grupos et√°rios de menos de 60 anos. O estudo verificou também que a situa√ß√£o dos leitos de UTI - que atingiu o n√≠vel m√°ximo de sobrecarga e colapso em meados de mar√ßo de 2021 - parece ir se consolidando em patamares melhores, ainda que em cen√°rio de predomin√Ęncia de algum alerta, requerendo cuidados para evitar nova piora", diz um trecho do boletim.

Segundo o levantamento, oito unidades da federa√ß√£o (UF) est√£o com mais de 80% dos leitos de UTI para covid-19 ocupados, o que é considerado cen√°rio de alerta cr√≠tico. S√£o elas: Distrito Federal (81%), Goi√°s (85%), Mato Grosso do Sul (88%), Paran√° (94%), Roraima (87%), Sergipe (88%), Santa Catarina (92%) e Tocantins (90%).

O grupo de UFs em alerta cr√≠tico é o menor desde o boletim de 1¬į de fevereiro, quando sete estados estavam nessa situa√ß√£o. No pior momento da pandemia para a ocupa√ß√£o de leitos, em 15 de mar√ßo, o pa√≠s chegou a ter 24 estados e o DF em situa√ß√£o cr√≠tica simultaneamente.

Apesar da melhora, a maior parte do pa√≠s continua na zona de alerta intermedi√°rio, com entre 60% e 79% de ocupa√ß√£o de leitos. É o caso de Amazonas (63%), Par√° (64%), Maranh√£o (79%), Piau√≠ (76%), Cear√° (74%), Rio Grande do Norte (72%), Pernambuco (76%), Alagoas (77%), Bahia (75%), Minas Gerais (75%), Esp√≠rito Santo (63%), Rio de Janeiro (63%), S√£o Paulo (76%), Rio Grande do Sul (79%), Mato Grosso (75%).

Acre (37%), Amap√° (55%), Para√≠ba (59%) e Rondônia (58%) est√£o na zona de alerta baixo, com menos de 60% de leitos ocupados. Entre esses estados, o Acre é o que est√° h√° mais tempo nessa situa√ß√£o, desde 10 de maio.

Medidas de prevenção

A Fiocruz alerta que as medidas de combate à transmiss√£o da doen√ßa devem continuar sendo adotadas por estados e munic√≠pios até que seja decretado o fim da pandemia no Brasil. O lockdown continua a ser recomendado para todos os locais com taxa de ocupa√ß√£o de leitos de UTI maior que 85%, e um conjunto de medidas deve ser mantido pelos demais gestores p√ļblicos.

A funda√ß√£o explica que devem ser combinadas medidas que reduzam a propaga√ß√£o do v√≠rus e a sobrecarga do sistema de sa√ļde com a√ß√Ķes que garantam os insumos necess√°rios para o atendimento aos pacientes e pol√≠ticas que reduzam os impactos sociais e sanit√°rios da pandemia, principalmente para as popula√ß√Ķes e grupos mais vulner√°veis.

Os pesquisadores também aconselham que o momento de redu√ß√£o nas interna√ß√Ķes é uma oportunidade para reorganizar o sistema de sa√ļde, refor√ßar medidas de preven√ß√£o, promover campanhas de comunica√ß√£o, testar e rastrear casos suspeitos e atender demandas represadas.

"O sistema de sa√ļde precisa ser reorganizado para atender às demandas relacionadas à covid-19, sejam elas imediatas ou as que se colocar√£o por um tempo, relacionadas à covid-19 e às suas m√ļltiplas manifesta√ß√Ķes incapacitantes. Além disso, outros casos, retidos em "fila de espera" neste ano e meio de pandemia, precisam ser objeto de aten√ß√£o dentro desse processo de reorganiza√ß√£o do sistema de sa√ļde".

Fonte: Agência Brasil

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